E AS CRIANÇAS, ESTÃO BEM?

Atualizado: Fev 24


Cláudia Moraes - Psicanalista

Email: contato@psicanalitico.com



Está aí uma pergunta que eu sempre faço, no início das minhas lives pelo Psicanalítico toda sexta-feira, às 12h. Quem acompanha sabe; e acaba eu mesma respondendo: “Se as crianças estão bem, tudo vai bem”. Nos meus encontros e desencontros pela vida é algo que eu costumo observar, escutar, diante dos inúmeros problemas, conflitos dos quais as pessoas se queixam, quando se trata das crianças, se tudo está bem, as pessoas quase chegam a suspirar. Se as crianças estão bem, o resto fica mais fácil de resolver.

E pensando na questão de bem estar das famílias, com as crianças estando bem, acabei esbarrando com uma série interessante da Netflix com o titulo ”AS CRIANÇAS ESTÃO BEM”, uma série que se passa nos anos 70, do criador Tim Doyle que retrata a rotina de um casal com oito filhos, todos meninos, cada um desses filhos com seus traços de personalidade bem característicos, tentando encontrar o seu lugar como peça de uma engrenagem na dinâmica familiar. Apesar do cenário ser os anos 70, as situações são bem parecidas com as que vivemos atualmente. Como não lembrar dos pais de todas as épocas dizendo “Eu criei todos da mesma maneira, como podem ter saído tão diferentes?” Sim, somos todos muito diferentes, nos constituímos de maneira singular diante desse olhar do Outro que se diz único para todos os filhos. Será? Na família Cleary, da série em questão, observamos cada filho tentando se representar, ocupar o seu lugar, muitas vezes se associando um ao outro para tentar entender o quê seus pais querem, ou de que maneira fazer valer os seus desejos, a sua busca. Como não deixar de perceber o esforço de um dos filhos que se faz de fofoqueiro, delator dos segredos dos irmão, em busca do olhar dos seus pais, principalmente da sua mãe.

Os pais da série em questão não parecem muito atentos às necessidades dos seus filhos, mas sim concentrados em si mesmos. Por outro lado, pensemos sobre o quê um filho tende a fazer para receber afeto, aprovação dos seus pais.

Muitos pais acreditam que sabem que seus filhos estão bem, porém mal os conhecem, mas afirmam para si mesmos, para os vizinhos, os amigos, para o restante da família que “Sim, as crianças estão bem”. O que quer dizer estar bem? Talvez quando não há febre, ossos quebrados, vômitos, bilhetes vindos da escola, anunciando problemas, talvez... Mas talvez estejamos falando de se encontrar um olhar quando esse sujeito filho se sente perdido, sozinho sem saber como vai falar sobre a sua frequente dificuldade com a matemática, o fato de não conseguir fazer amizades, o medo do vestibular, não saber o que fazer diante de uma garota, a raiva que sente de si mesmo, ou quem sabe a sensação constante de se sentir inferior ao mundo inteiro. Poderíamos pensar na importância de ter alguém presente na apresentação da escola, ou alguém com paciência porque o medo do escuro persiste, ou o xixi na cama ainda persiste, apesar da idade.

As crianças estão bem? Os pais estão bem? Precisamos pensar a respeito antes de responder.

Pensemos...

Até a próxima.

Um abraço,

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